terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Verdade Desportiva impressa por Gutenberg?

Depois de ver um pouco do "Dia Seguinte" de ontem e de ver um pouco do site do Record esta manhã apercebo-me que a propalada verdade desportiva vem mesmo do Benfica. Não sei como não há uma bíblia da verdade desportiva redigida pelo Benfica...espera! Se calhar há, mas eu não tenho porque sou infiel.

Rui Gomes da Silva foi suspenso pela Liga durante 11 meses, salvo erro. Não percebo porquê: quem diz a verdade não merece castigo. Mesmo presenteado com repetição em câmara lenta e zoom que mostre o braço de Matic a atingir o Candeias, RGS tem, naturalmente, o discernimento necessário para vislumbrar o embuste - só pode ser montagem. Mesmo que haja fotos ou vídeos amadores da bancada do lado em que a jogada ocorre. Até porque Matic nunca agrediu ninguém...

Esta manhã, depois da escorregadela de ambos os grandes nesta jornada, o Record vem alumiar o caminho de vida dos leitores mostrando aquilo que parecia perdido: ao contrário do Porto, o Benfica continua invicto nas competições nacionais, mas a palavra escolhida é mais esclarecedora: imparáveis. E tem ainda um artigo de grande interesse e relevância em que o agente FIFA de Cardozo diz que a expulsão foi injusta, mas que o jogador está triste e arrependido. E que Pedro Proença não pode arbitrar os jogos do Benfica, "porque tem sempre azar".

Agora voltando à realidade, por oposição à verdade desportiva, apraz-me dizer que RGS cumpre o seu papel como Pôncio Monteiro e Guilherme Aguiar nunca conseguiriam cumprir se tivessem protagonizado uma fusão à Dragon Ball Z. Sem dúvida, esse foi o critério para que RGS fosse o escolhido: ser capaz de escamotear a verdade, sempre que a mesma fosse contrária aos interesses do Benfica; ser capaz de a maximizar sempre que o Benfica brilhasse nela. E ele é mesmo muito bom nisso.

A sua capacidade para invocar as escutas no Youtube (que, como as actuais alegações acerca dos àrbitros continuam a não valer de nada quando é futebol que é preciso, é lendária) está sempre na ponta da língua quando o Glorioso está em maus lençóis. E traz o iPad para o programa para mostrar jogadas do Mangala, quando Cardozo pontapeia um jogador com o jogo parado e puxa a camisola e levanta a mão para o árbitro da partida, e quando a SIC consegue mostrar repetição em câmara lenta e com zoom que mostram CLARAMENTE Matic a agredir Candeias com o cotovelo. E não se enganem, o fiscal-de-linha estava naquele lado do campo e viu.

Não discuto a verdade dos factos apresentados pelo record para invocar a "imparabilidade" do Benfica. Discuto apenas o timing: o afirmado é tão verdade agora como era antes do jogo com o Nacional, logo perdendo o valor de "notícia", que depende directamente da improbabilidade de o facto ser conhecido. Porquê, então, agora? Não percebo.

O agente FIFA de Cardozo é um ser incrível e sem a menor noção do que diz. Que ele queira defender o jogador e dizer que ele não agrediu ninguém é suficientemente idiota: ele agride desnecessariamente e está à vista de todos. E puxa a camisola e ameaça o árbitro, é claríssimo. Isto é indefensável, pelo que ele (e Cardozo, for that matter) deveriam reduzir-se ao silêncio dos insignificantes, já que os dos inocentes não está disponível. Mas o senhor Pedro Aldave vai mais longe: "(...) e estava triste com a expulsão que, na minha opinião, foi injusta. Ele está arrependido." Pedro Aldave: Se foi injusto, ele está arrependido do quê?...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Mais ou menos Futebol

Odeio o estilo jornalístico (ou antes a falta dele) no programa MaisFutebol da TVI (what a shocker).

Salvador Martinha dizia que era o único programa de Futebol da televisão Portuguesa com bom ambiente. Sendo verdade, tem uma explicação: há um Sportinguista declarado, um Benfiquista declarado e um par de comentadores (creio eu) não tão declarados. Que me tenha apercebido, nem um Portista declarado.

Para além disso, é apresentado por uma tipa que faz o papel de brejeirona e cuja função é fazer as perguntas de forma mais desinformante, condicionada e contraproducente - gossip e kiss and tell. Parece conversa de café sobre futebol, mas para gajas.

Os comentadores têm até dificuldade em começar a responder, porque as perguntas são geralmente mal conduzidas. A melhor coisa que aconteceu ao programa foi o Toni ter ido treinar para as arábias - finalmente, juntaram-no com os da espécie dele. Faz-me lembrar de quando o Manuel Vilarinho despediu o José Mourinho para pôr lá o Toni. Esquema inverso, resultado inverso.

Acho que a única coisa boa do programa é que reflecte de forma fidedigna e na devida escala o ridículo do futebol Português: gozam um pouco com toda a gente, de forma mais ou menos ocasional. Mas o Jorge Jesus tem direito à sua rubrica de verborreia.