quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Shamrock: uma planta que está mais perto de Glasgow

Esta coisa dos trevos de quatro folhas é irlandesa? Eu sei, eu sei...mas a verdade é que Glasgow é, afinal, muito mais perto da Irlanda que a segunda circular. Estou em crer que Jorge Jesus estaria melhor a queixar-se disso que da sorte do Porto.

Afinal, ou é desta que o Benfica se equipara ao "Bracelona" em jogo jogado e (tem sorte!) o Spartak vence o Celtic ou o Benfica tem ainda mais sorte e vence o seu jogo com um golo em fora de jogo e um penalti inexistente contra a equipa B do "Bracelona" reduzida a 8, E AINDA!, o Celtic perde com o Spartak devido a uma ressaca colectiva de single malt. Ainda assim, sim...o FC Porto, primeiro classificado ex-aequo da Liga, a disputar eliminatória da Taça de Portugal com o terceiro grande e primeiro classificado do seu grupo da Champions "liga" e a apresentar impressionante regularidade exibicional depende muito mais da sorte que o Benfica. Parece-me claro. É como contratar jogadores: para o Porto não passa de lotaria. O Porto já não negoceia com Jorge Mendes ou Pini Zahavi, River Plate ou Internacional de Porto Alegre: só com o www.jogossantacasa.pt.

Uma mensagem para José Peseiro, se me estiver a ler: por esta altura deve estar a pensar que Jorge Jesus tem razão. Talvez sim, até porque foi uma sorte chegar à meia-hora de jogo com o Porto sem estar a perder por 3-0, uma semana depois de perder com o Sporting. Mas não se deixe enganar: quando o Braga ganha categoricamente ao Benfica, empata à tangente quando estava a dar um banho de bola ao Benfica ou perde com golos manhosos e dez defesas impossíveis do Artur o JJ também acha que é sorte. Sua, José. Sua.

Também uma palavra para Vercauteren, Franky para os amigos: tem toda a razão acerca de alguns jogadores do Sporting. Mas os treinadores não são pagos para constatar o óbvio. Para isso há a categoria profissional dos Constatadores do óbvio, ou os "jornalistas" da Benfica TV, na óptica de LFV. Os treinadores são pagos para orientar e, em alguns casos extremos, treinar uma equipa. No limite procurarão esconder fragilidades da equipa de forma a que as mesmas não comprometam resultados. Posto isto, parece-me que Vercauteren, Franky para os amigos, goza de uma certa simpatia e hospitalidade que é, normalmente, dada a treinadores estrangeiros quando chegam cá e não entram à campeão como o Co Adriaanse. O que não dura muito tempo quando não se ganha senão um em cada cinco jogos e nem um para a Liga Europa.

Uma palavra para Vítor Pereira: espero que não tenha jogado no Euro Milhões. Se eu ganhar não quero dividir o prémio com ninguém, nem consigo. Ah, e diga ao Rolando que aquilo não é maneira de sentar no banco. Assim vai ter bolas bombeadas nas costas mesmo não tocando na "chicha" este ano.

Finalmente, Godinho Lopes: faça o favor de dizer que o Capel e o Izmailov são maçãs podres. Já há muito tempo que ninguém diz isto no Sporting, e parece-me que, à semelhança desse jogador que se tem revelado um competidor à altura de James Rodriguez como aspirante a melhor jogador a actuar em Portugal na actualidade (João Moutinho), eles ficariam excepcionalmente bem de azul e branco. Isso sim, seria uma sorte.

NDR: Este texto foi redigido de acordo com o antigo acordo ortográfico e, em alguns momentos, com o dialecto da Reboleira.

2 comentários:

  1. Ainda assim a comitiva do Porto continua a levar uma espécie de shamrock (mas de 4 folhas) na lapela quando visita a pedreira de Braga... e lá tem funcionado. Ás vezes passa a frente dos olhos do árbitro, outras vezes atrapalha a bola que acaba por entrar, meio aos trambolhões, na baliza dos outros!

    Já o Benfica precisava duma ajudinha destas na próxima jornada da Champions. Apesar de, como já disse o mestre da tática, os defesas do Barcelona serem "muita pucaninos" e o Benfica levar as 4 torres da luz (Luisão, Garay, Cárdozo e Matic-o-lento-mas-até-se-está-a-fazer-um-jogador), vai ser preciso algum trevo esquecido pelos Irlandeses que passaram em Lisboa para seguir na Liga dos Campeões...

    ResponderEliminar
  2. Eu não nego isso: nego é a ênfase que o Jorge Jesus dá à sorte do Porto, como se o Porto nada ganhasse sem ela. E quando, na verdade, o Benfica e qualquer outro clube que aspire a algo careça de sorte para ganhar seja o que for, porque, como dizia Villas-Boas, "o caos faz parte do jogo".

    O problema do Benfica nunca seria a defesa ou o guarda-redes do Barcelona, que não são excepcionais: o problema ali é passar do meio-campo.

    ResponderEliminar